O CLAI e os povos-indigenas-do-MS

CLAI - 20/10/2015

“Maldito o sistema que não pratica a justiça, e persegue, tortura, encarcera quem anuncia; terá que justificar sua conduta ante a história e não encontrará nenhuma defesa.”

(Ernesto Cardenal)

 

O CLAI – Conselho Latino Americano de Igrejas – Região Brasil, se faz presente no Mato Grosso do Sul, nessa terra castigada pela ganância de alguns poderosos que desconhecem direitos dos povos que tradicionalmente ocupam a região e buscam assegurar sua sobrevivência.

As igrejas e organizações ecumênicas que fazem parte do CLAI têm acompanhado com tristeza, preocupação e indignação profética a falta de ação do poder público em todos os âmbitos: municipal, estadual e nacional para coibir os desmandos de grupos que atacam populações indígenas, toda forma de desrespeito à cultura dos índios, à necessária demarcação de suas terras, à vida digna.

As notícias de assassinatos chegaram a nós e também a todo o país e fora dele. Entre outras, as crueldades cometidas contra as mulheres indígenas se destacam causando indignação.

Apesar das atrocidades praticadas, a mídia não mostra compromisso com a verdade e apresenta o índio como selvagem, baderneiro. Não evidencia sua luta por direitos e pelo território.

Mas, assim mesmo, temos informações obtidas por intermédio de pessoas sérias e de uma imprensa não comprometida que mostram o Mato Grosso do Sul como um estado que está marcado pela cobiça do agronegócio, tendo as terras mais produtivas do país, estando planejadas a instalação de 30 novas usinas de açúcar e álcool, investimento massivo na monocultura que destrói pessoas e a terra. Aqui vivem mais de 28 mil índios, constituindo-se na segunda maior população indígena do país, infelizmente vivendo em situação de constante risco e violência, sendo que 98% está confinada em pequenas reservas que representam somente 0,2% do território estadual.

Fazemos nossa a voz do profeta Amós, um camponês cansado de sofrer e falando por seus pares: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5.24). Para o profeta, a opressão é injustiça e pecado contra Deus. Amós é alguém que toma posição em favor do inocente e do injustiçado (Pv 31.1-9; Êx 22.16-31; 23.6-9; Dt 15.7-11). Ele nos recorda que a injustiça é como roubar violentamente e pisotear os mais vulneráveis. E condena aqueles que “pisam na cabeça dos que não têm ajuda”. E lembra-nos que a religião correta é aquela que defende os povos tradicionais e seus direitos básicos por terra, território, cultura e identidade. Atitudes desumanas são pecado contra Deus. É pecado tratar pessoas como se fossem objeto, vendendo-as como mercadoria, privando-as de seus direitos e provocando assassinato direta ou indiretamente.

Pela fé nós e nossas Igrejas temos a a tarefa de ser voz, sal e luz. Não vamos silenciar diante da corrupção e da injustiça, comuns em nosso país. Apoiamos a luta dos povos indígenas na defesa de suas terras, territórios, identidade, cultura, religião e VIDA!  Somados a outros Conselhos de igrejas, organizações inter-religiosas, movimentos sociais e pessoas de boa vontade queremos demonstrar nossa presença ecumênica e profética de solidariedade e parceria com os povos indígenas desta região e do mundo, no firme propósito de denunciar a injustiça e impedir a continuidade dos assassinatos, da exploração do trabalho similar à escravidão e de outras formas de violência.

Somos parceiras na defesa das terras tradicionais dos povos indígenas; Estamos juntas na luta pela vida dos Guarani,  Kaiowá e Terena, Pela Justiça, por respeito, por dignidade!

 




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